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Revelação da Paternidade de Deus

Padre Victor Zacarias Luaco, PSDP.

Vivemos num contexto cheio de pequenas e grandes notícias bonitas e dolorosas. Evento como a pandemia, globalizou o sentir da fragilidade, destapou a precariedade que caracteriza a transitoriedade da existência humana, mas também levou a experimentar o atuar da solidariedade que nasce de um sentir comum de parecer estarmos numa mesma barca assolada pela tempestade. Nisto temos como testemunho o multiplicar-se de várias ações, seja elas governamentais ou eclesiais, mas todas com finalidade de ir ao encontro das necessidades dos mais vulneráveis. Quanto ao compromisso eclesial basta lembrar aqui as várias reflexões motivadoras: “Fraternidade e vida: Dom e Compromisso”; “Viu sentiu compaixão e cuidou dele”, que foram o tema e lema da Campanha da Fraternidade 2020; Abre a tua mão para o teu irmão” (Dt 15,11) reflexão no mês da Bíblia.

Não podemos dizer que é tudo mar de rosa. Se deve aqui também manifestar sensações que criaram sentimentos e percepção de estarmos no mesmo mar em tumulto, mas, cada um ancorado à própria “barquinha” clamando por salvadores em um mundo frenético no qual parar para escutar o grito de outrem significa perda da oportunidade para si mesmo. Já que, o que conta é o afirmar-se de si mesmo, sem olhar o que pode ser de ajuda aos outros. Pura concretização da indiferença.

Evocamos aqui: solidariedade e indiferença. É realmente um paradoxo que se experimenta. Paradoxo é “uma impossibilidade lógica a partir dum raciocínio que parece correto, mas que condensa níveis lógicos diferentes (Russell)[1]”.

É no contexto acima descrito, que não pretende ser exaustivo, mas simplesmente evocativo, em que queremos falar da revelação da Paternidade de Deus. Consciente que falar da revelação se pode correr vários riscos de incompreensões ou ao menos equívocos. Tendo em conta a polissemia ou multiplicidade do significado deste conceito. Por isso é justo, desde já limitarmos o conceito de relação ao âmbito em que queremos refletir. A nossa reflexão estará balizada por dois binários: teológico e espiritual. E uma ulterior especificação merece ser feita: quando falamos de teologia, aqui estaremos a nos referir a teologia cristã e não a uma pan–teologia religiosa. E quando nos referirmos à espiritual (idade), o nosso âmbito é a espiritualidade cristã com referência imediata a espiritualidade calabriana. Tendo feitos estas especificações e delimitações agora sim podemos nos embarcar na aventura de fazer algumas considerações sobre o tema que nos propusemos, sem ambições de dizer novidades a respeito, mas na simplicidade de lembrar um dos aspetos fundamentais - a Paternidade de Deus - que compõem o mosaico da beleza da espiritualidade que nos foi dado por Deus Pai providente através de São João Calábria.

 

 PARA CONTINUAR LENDO ACESSE: REVISTA A PONTE ED. 1, 2021.

 

[1]  H. MORIER, Dictionnaire de poétique et de rhétorique, P.U.F., Paris, 1989, p. 849.