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Abrigo João Paulo II: 40 anos de acolhimento e amor

Social

O Instituto Pobres Servos da Divina Providência – Abrigo João Paulo II está em preparação para comemorar os 40 anos de atendimento às crianças, adolescentes, mulheres vítimas de violência doméstica e de gênero e jovens adultos com deficiências, 28 de julho de 2021.

               

Primeiros acolhidos do Abrigo João Paulo II.

              Uma trajetória que teve início após uma provocação que o Papa João Paulo II fez à sociedade, quando esteve em Porto Alegre em 1980: “cuidem dos meninos de rua da cidade, eles serão o futuro da sociedade”.  E atendendo a esse apelo, os Pobres Servos deram início ao Albergue João Paulo II, em 1981, com a parceria da Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor (FEBEM).  Ocupando um chalé ao lado do Colégio Estadual Padre Rambo e com um veículo Kombi, cedido pela FEBEM para fazerem a ronda noturna no centro de Porto Alegre, os religiosos convidavam os meninos “engraxates”, que viviam sob as marquises, para passarem a noite no Albergue:  um local seguro, com alimentação, espaço para fazerem a higiene pessoal, trocarem de roupas e dormirem abrigados do frio e da chuva.

                Atentos às novas necessidades, com o passar do tempo foram ampliados esses cuidados.  Além de um lugar seguro, foi criado um local de capacitação e profissionalização para que os adolescentes tivessem mais oportunidades de emprego e melhores condições de vida, já que a profissão de engraxate tendia ao vício da cola de sapateiro e loló, drogas da época. Pouco tempo mais tarde, em 1987, um generoso benfeitor concedeu um terreno no município de Viamão para a implantação de cursos profissionalizantes e, ainda, um espaço para plantação de legumes e frutas, e também para a criação de animais.

                Através da nova Constituição Federal, promulgada em 1988, o Brasil introduziu mudanças nos direitos das Crianças e Adolescentes – “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente com absoluta prioridade, o direito à vida, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e de opressão” (BRASIL, 1988, Art. 227)

                Com esse objetivo, foi instituído em 13 de julho 1990, pela Lei nº 8.069, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).  Esse instrumento legal extinguiu o direito de realização das rondas noturnas por organizações sociais privadas, submetendo essa iniciativa à prévia autorização do poder público representado no caso pelo Conselho Tutelar ou pelo Juizado.

                Logo a seguir, através da Lei nº 8.242, de 12 de outubro de 1991, foi constituído o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), definido como o principal órgão para a formulação, deliberação e controle das políticas públicas para a infância e adolescência no país.

                Perfeitamente integrado a esse novo contexto legal, o Albergue João Paulo II continuava cumprindo sua missão em favor dos menores necessitados.  Com o apoio cada vez maior de amigos e pessoas de boa vontade engajadas no acolhimento dos meninos de rua, em 1997,nossa entidade firmou uma parceria com a ONG Parceiros Voluntários, que naquela época iniciava um movimento dedicado a estimular o trabalho voluntário organizado, por meio de capacitação e encaminhamento de novos voluntários, fortalecendo e qualificando o trabalho administrativo e assistencial com os acolhidos na instituição.

                Em 2001, o Albergue João Paulo II foi reconhecido, por meio do Prêmio Parceiros Voluntários -Ano I, pelas ações de solidariedade e de fortalecimento pela cultura do trabalho voluntário em benefício da comunidade gaúcha.

                Sempre em busca da evolução, procurando desenvolver uma forma nova de acolher, não só os meninos, mas também meninos e meninas, tendo como prioridade reunir os irmãos na mesma unidade de acolhimento, conforme preconiza o ECA, foi que em 2002, a instituição deu um passo importante: iniciou o acolhimento na modalidade Casa-Lar, em parceria com a FASC – Fundação de Assistência Social e Cidadania do município de Porto Alegre.  Foi inaugurada a primeira Casa-Lar, denominada Pérolas Calabrianas, destinada ao acolhimento de crianças e adolescentes, de zero até 18 anos incompletos, encaminhados pelo Juizado da Infância e da Juventude. Trata-se de um espaço organizado e adequado para um melhor desenvolvimento, contando com a presença de monitores devidamente supervisionados por coordenação técnica, assistente social e psicóloga. No mesmo ano, o então Albergue, passa a ser chamado Abrigo João Paulo II.

                Contando mais uma vez com o apoio da comunidade, inaugurou-se mais duas casas lares, aumentando o número de acolhidos.  Progressivamente, o trabalho foi sendo aprimorado e, em 2006, os monitores das casas-lares Bons Meninos e Pérolas do Amanhecer foram substituídos por casais sociais/educadores residentes, em caráter permanente.

                Resultado deste saudável desenvolvimento, em 2009, a direção do Abrigo João Paulo II recebeu o Prêmio “Líderes & Vencedores”, na categoria Destaque Comunitário, promovido pela FEDERASUL e pela Assembleia Legislativa do Estado.  No ano seguinte, devido ao aumento do número de crianças e adolescentes acolhidas, houve a necessidade da ampliação do acolhimento na modalidade casas-lares e de, também, concentrar a atividade administrativa na sede da instituição, situada na Av. Bento Gonçalves, 1701.

                Nossa missão continua sendo estimulada e reconhecida por diversos segmentos da comunidade (públicos ou privados) e o sucesso desse vitorioso trabalho social tem motivado estes setores a encontrar no Abrigo João Paulo II um parceiro confiável para execução de seus projetos sociais.

                O município de Viamão, em 2010, iniciou uma parceria com o Abrigo João Paulo II para o acolhimento na modalidade casa-lar, sendo abertas três casas-lares: Mãe de Deus, Nossa Senhora de Nazaré e Rainha da Paz. E mais tarde, em 2012, foram abertas as casas-lares: Anjos do Lar, Santa Isabel e Doce Olhar.

                A Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência, em 2013, foi escolhida pela Fundação Uma Luz no Amanhã - ULNA que encerrou suas atividades, para delegar ao Abrigo João Paulo II a responsabilidade pelo local e pelo acolhimento das crianças que lá estavam.

                Iniciou-se o acolhimento na modalidade Abrigo Residencial, em 2014, quando foi assumida a administração e o cuidado das crianças e adolescentes do Abrigo Municipal Cisne Branco.

                Mais alguns reconhecimentos pelo trabalho desenvolvido pelo Abrigo João Paulo II ocorreram em 2017, quando recebeu o Certificado e a Medalha de Responsabilidade Social do Rio Grande do Sul, pela Assembleia Legislativa do RS. E também, foi honrado com o Certificado de Mérito Comunitário do SESC- Serviço Social do Comércio, da rede de Solidariedade do Programa Mesa Brasil. Este reconhecimento foi mantido nos anos subsequentes até 2019.

                Em 2019, três novos desafios foram confiados ao Abrigo João Paulo II, no que se refere ao acolhimento de pessoas em vulnerabilidade social, o primeiro foi  a Casa Girassol, inaugurada em março de 2019, espaço exclusivo para o acolhimento e a proteção às mulheres em situação de violência doméstica e de risco de morte iminente, muitas vezes acompanhadas de seus filhos. Essa nova atividade é uma parceria da Prefeitura de Viamão, Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRM) e a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) da Polícia Civil.

                O segundo, em abril de 2019, foi o primeiro Residencial Inclusivo do município de Porto Alegre, que denominamos São João Calábria, em parceria com a FASC – Fundação de Assistência Social e Cidadania, para o acolhimento de jovens adultos com deficiência que são advindos dos serviços de acolhimento institucional do município. Um espaço organizado e adequado para um melhor desenvolvimento com educadores sociais e acompanhado por uma coordenação técnica, assistente social, psicóloga e terapeuta ocupacional.

                O Abrigo João Paulo II, atento às necessidades de promover um acolhimento diferenciado, assumiu o terceiro desafio, em outubro de 2019, com a implementação do acolhimento de crianças e adolescentes de forma familiar, por meio do projeto Famílias Acolhedoras. São famílias voluntárias que passam por seleção e qualificação para receberem em suas casas uma criança ou adolescente, até mesmo grupos de irmãos, de forma temporária. São acompanhadas por uma coordenação e equipe técnica formada por uma psicóloga e uma assistente social.

                Devido à necessidade de acolhimento dos jovens adultos com deficiências que, ao completarem 18 anos, necessitam continuar com o acompanhamento; em 2020, o Abrigo João Paulo II assumiu mais dois Abrigos Residenciais Inclusivos.

                Ao completar 40 anos de história a instituição tem muito a comemorar, pela trajetória que vivenciou e ao longo do tempo foi se fortalecendo e ampliando sua capacidade e habilidades no acolhimento de crianças, adolescentes e adultos. Hoje 270 pessoas recebem um olhar diferenciado, humanizado e personalizado com vistas ao desenvolvimento de suas potencialidades, tendo uma convivência social e comunitária sadia e com preparação para o desligamento seja por maioridade, por adoção, para o retorno à família de origem; ou para as residentes na Casa Girassol, a redução do risco de morte, tornando possível a reconstrução de suas vidas.

“Trabalhamos e ajamos de tal forma como se tudo dependesse de nós e depois entreguemo-nos a Deus. Ele tem seu tempo, seus dias e seus caminhos.” São João Calábria