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Celebração de abertura dos 60 Anos da Presença dos Pobres Servos no Brasil

Delegação

O dia 30 de agosto marca a chegada oficial da Congregação Pobres Servos da Divina Providência no Brasil. Padre Gino Gatto, Padre Antonio Leso e Irmão Aldo foram os primeiros a pisarem a Terra de Santa Cruz trazendo em seus corações o sonho do fundador, São João Calábria, que assim escrevia em 1934: “outro grande desígnio de Deus são as Missões. Sim, meus queridos, Deus as quer, mas as quer ligadas sempre ao grande programa: Quaerite primum regnum Dei! [Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus]. Se formos fiéis, se amarmos a Deus, virá um dia, não distante, que desta áurea Obra destacar-se-ão blocos que serão o fundamento da obra divina de levar o santo evangelho a tantas e tantas pobres almas que nunca ouviram falar de Deus, de Jesus Cristo, da vida eterna” (Quaresma de 1934).

Na comemoração do 59º aniversário, a celebração Eucarística, presidida pelo Delegado, Padre Gilberto Bertolini, PSDP, marcou a abertura do ano jubilar que se estenderá até o dia 29 de agosto de 2021 com diversas celebrações nas missões da Delegação pelo país. Hoje foi um dia de fazer memória, celebrar, agradecer a Deus pela sua providência que sempre nos acompanha.

Acompanhe abaixo a ‘Breve’ História da chegada dos Pobres Servos no Brasil e a homilia da santa Missa:

Do Uruguai, um “Salto” para o Brasil

A história inicia com Padre Gino Gatto, coordenador do grupo missionário dos primeiros Pobres Servos na América Latina; que depois de alguns anos de experiência no Uruguai se dá conta de que se a Obra pretendesse ter futuro, precisaria olhar além do país em que estava. O Bispo da cidade, Dom Alfredo Viola, na homilia de abertura na Capela “Santa Cruz”, havia profetizado: “Já vejo que a Congregação atravessará a fronteira do Uruguai para expandir-se por toda a América Latina”.

Em 8 de janeiro de 1960, Dom Viola ofereceu-se para acompanhar o Padre Gino até o Brasil, a fim de recomendá-lo ao seu amigo Dom Luis de Nadal, Bispo de Uruguaiana/RS. Dom Luis levou Pe. Gino Gatto para conversar com Dom Vicente Scherer, Arcebispo de Porto Alegre/RS.

Dirigiram-se a sede do arcebispado e jantaram com os sacerdotes da Cúria. Depois da janta, encontraram-se com Dom Vicente Scherer, que perguntou ao Padre Gino: “Mas a que Congregação o senhor pertence?” Padre Gino respondeu: “A uma Congregação ilustramente desconhecida, fundada pelo Padre João Calábria”. O arcebispo respondeu imediatamente: “Não, não! Padre Calábria aqui é conhecido. Li o seu livro ‘Apostolica vivendi forma’ e dei um exemplar de presente para cada um dos meus sacerdotes. Se o vosso espírito for o do vosso fundador, as portas da Arquidiocese estão abertas”.

Padre Gino Gatto ficou alguns dias no Colégio Bom Conselho e depois voltou para Salto, convicto de que Porto Alegre poderia se tornar a nova base missionária. Mas a abertura e o início da missão no Brasil precisavam da autorização dos superiores de Verona. Padre Gino Gatto foi chamado a Itália para participar do II Capítulo Geral dos Pobres Servos, no qual, os capitulares, aprovaram por unanimidade a abertura desta nova missão.

No dia 28 de agosto de 1961, um pequeno grupo de religiosos: Padre Gino Gatto, Padre Antonio Leso e Irmão Aldo Farina deixavam a comunidade de Salto para iniciar a nova comunidade no Brasil. Foram acompanhados à estação ferroviária pelo Bispo de Salto, seu auxiliar, e por um grupinho de fiéis da Capela Santa Cruz. Chegaram na fronteira, na cidade de Rivera, no outro dia.

Na manhã, bem cedinho, do dia 30 de agosto, depois de terem celebrado a Santa Missa, partiram de ônibus para Porto Alegre. Após 16 horas de viagem chegaram à Rodoviária de Porto Alegre. Estavam sendo esperados pelas Irmãs Paulinas, que os conduziram à sua casa de formação, oferecendo-lhes dois quartos para repousar.

No dia seguinte, foram dar uma olhada na casa que havia sido preparada para eles pelo Secretariado da Ação Social, na Rua Allan Kardec. Todavia, não puderam entrar, pois as chaves da casa encontravam-se no cofre de um banco. As Irmãs Paulinas procuraram, de todos os modos, suprir este inconveniente com uma acolhida generosa e cordial.

Seguindo o estilo e o método de São João Calábria, estes missionários não estavam acompanhados de um caminhão de mudanças, nem podiam dispor de uma conta bancária. O dinheiro em caixa atingia um total de 100 dólares. A casa da Rua Allan Kardec era totalmente desprovida de mobiliário. Nenhuma cadeira, nenhuma mesa. Não havia camas, mas somente três colchões estendidos sobre o piso e um velho fogão a óleo.

Assim iniciou a presença dos Pobres Servos da Divina Providência, do carisma Calabriano em terras brasileiras!

GADILI, Maria. Pobres Servos da Divina Providência: 50 anos de Brasil. Porto Alegre: Instituto Pobres Servos da Divina Providência, 2010. 168p.


Fazendo memória e partilhando histórias
Homilia santa Missa 59 anos de presença dos Pobres Servos no Brasil
Padre Gilberto Bertolini, PSDP
Delegado

Louvor e gratidão pelos 59 anos de presença dos Pobres Servos no Brasil. Os primeiros Pobres Servos que chegaram para a abertura da missão foram Padre Gino Gatto, Irmão Aldo Farina e Padre Antônio Leso. Em janeiro de 1962, se juntam a eles, Irmão Francisco Cornale e os clérigos Tiziano Tosi e Matinho Zanni.

Uma das motivações dos Pobres Servos de virem ao Brasil foram as vocações. Logo em 1962 formou-se um pequeno grupo de vocacionados internos. Nos anos 63 e 64 são formadas duas turmas, em Porto Alegre, com jovens provenientes das redondezas do Calábria. Com a ajuda do Ir. Noivar, lembraram de alguns desses jovens: Luis Moresco, Jorge Moresco, Gilberto Moresco, Fávio Roberto Steffani, Vitor Hugo Sigerda, Vanderlei Shardosin, monge dos beneditino Adão Alves da Silva, Lauri Mates, José Fincler (Pio), Alvaro Viana da Silva, Vildo Ferla, Saul Bonaldo, Odilon Pilot Martins, Carlos Ungaretti e o falecido Silvio Pastro.

Neste ano celebrativo, de ação de graças, louvamos e bendizemos a Deus Pai providente por nos ter seduzido com o seu amor ardente e nos ter chamado a fazer parte desta grande Obra e deste lindo carisma. Agrademos a todos os religiosos/as e leigos/as que fizeram e fazem parte desta grande família.

Ao celebrar o passado, somos desafiados a olhar para as nossas próprias vidas e ao momento presente. Que grande responsabilidade, dizia São João Calábria, de hoje manter vivo o Carisma suscitado por Deus, de ser instrumentos do seu amor e de sermos a visibilidade da Obra, pois a Obra somos todos nós. E assim nos perguntarmos: o que preciso fazer para viver com mais entusiasmo o espírito puro e genuíno da Obra?

Também olhamos com esperança ativa e criativa para o futuro, pois o hoje vai construir o novo que está na nossa frente, desta história que continua viva e atuante. O que deixaremos de herança para os que virão depois de nós? Quais são os nossos sonhos?

Como diz o Evangelho de hoje, é preciso pensar as coisas de Deus para não tropeçarmos no caminho e nem ser empecilhos daqueles que querem viver o carisma. É preciso viver o “buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça”. O que pode impedir a continuidade da nossa Obra, dizia o São João Calábria, somos nós, as nossas incoerências de vida; o não viver o Evangelho; falar mal dos outros e de tudo; a falta de fraternidade e comunhão... isso mata toda e qualquer profecia. É preciso cultivar com profundidade nossa vida interior, sermos místicos do cotidiano na íntima relação com o Deus, pois a Obra é d’Ele. Eis a nossa missão: “avivar no mundo a fé em Deus, Pai de todos.”