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Revista A Ponte: V Campanha da Fraternidade Ecumênica

Notícias

“Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade.” (Ef 2,14a)

“Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”.

Anualmente, no Brasil, temos a “conhecida”, “Campanha da Fraternidade”, que acontece principalmente no tempo quaresmal. Ela é de autoria da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e juntamente com a equipe de Coordenação Nacional, faz o seu lançamento todos os anos na quarta-feira de cinzas. Neste ano do 2021, será no dia 17 de fevereiro, como o tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”.

A Campanha da Fraternidade teve o seu início na comunidade de Nísia Floresta, próximo de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, no ano de 1962, com Dom Eugênio de Araújo Sales. No ano de 1963, o nosso estimado Dom Helder Câmara (participante do Concílio Ecumênico Vaticano II), enviou uma carta para todas as dioceses do Brasil para ver se aceitavam em suas dioceses a Campanha da Fraternidade, e eis que em 1964 acontece de forma nacional.

Nos anos 50, 60 no Estado do Rio Grande do Norte tinha muita seca, desigualdades sociais, injustiças, fome, conflitos (militares), por isso, a Igreja Católica buscou formas para ser samaritana, e ajudar aquele povo Riograndense. Na região, foi instalada a alfabetização para adultos com as escolas radiofônicas de Paulo Freire, e, no ano de 1962, com três dioceses participantes aconteceu o início da Campanha da Fraternidade.

A Campanha da Fraternidade tem três objetivos:

Espiritual – A Campanha da Fraternidade tem o seu lançamento na quarta-feira de cinzas. Ela acontece sempre no tempo quaresmal, tempo de maior conversão e solidariedade motivados na Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. 

Formativo – Atualmente temos o Texto-base, mas na época, eram elaboradas às chamadas “folhas volantes”, e enviadas para todas as dioceses do Brasil.

Caritativo – Todos os anos no Domingo de Ramos temos a coleta da Campanha da Fraternidade, aonde são contemplados projetos solidários. 

A Campanha da Fraternidade tem quatro fases. Nos anos de 1964-72, é o tempo em que a Igreja Católica olha mais para si mesma (fase ad intra). Nos anos de 1973-84 foram temas com uma maior abertura social. Nos anos de 1985-2013 são observadas as situações existenciais do povo brasileiro. E de 2013 até nos dias atuais, é a fase do “grito pela vida”, tempo do Papa Francisco.

Descrevemos rapidamente a história da Campanha da Fraternidade no Brasil, porém, neste ano de 2021 percebemos algo diferente... que ela é ECUMÊNICA.

Desde quando a Campanha da Fraternidade acontece de forma ecumênica?

Desde os anos de 1980, o projeto de uma campanha ecumênica de evangelização e missão era sonhado. No ano 2000 esse projeto se concretizou, com o tema: “Dignidade humana e a paz”, e com o lema: “Novo Milênio sem exclusões”. Com o objetivo de unir as Igrejas Cristãs no testemunho comum da promoção de vida digna para todos, na denúncia das ameaças à dignidade humana e no anúncio do Evangelho da paz.

No ano de 2005 tivemos o tema “Solidariedade e a paz”, e o lema “Felizes os que promovem a paz”. Tinha como objetivo geral colocar no centro da vida e do testemunho das Igrejas a preocupação e o esforço de superar a violência e de promover a solidariedade e a paz; alertar sobre o mau uso da identidade religiosa e ética, e lembrar o compromisso das religiões para com a paz.

No ano de 2010 o tema tratava sobre “Economia e vida”. E como lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24). Neste ano foi o esforço conjunto das Igrejas Cristãs colaborar numa economia a serviço da vida.

No ano de 2016 o lema foi “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). E o tema “Casa comum, nossa responsabilidade”. Objetivo geral: assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro da nossa Casa Comum.

E assim, chegamos no ano de 2021 com a V CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA. Com o tema Fraternidade e diálogo: compromisso de amor. E o lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade”. (Ef 2,14a). A Campanha deste ano convida as comunidades de fé e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para superar as polarizações e violências através do diálogo amoroso, testemunhando a unidade na diversidade.

 

Trago presente neste momento da reflexão, os objetivos específicos:

- Redescobrir a força e a beleza do diálogo como caminho de relações mais amorosas;

-Denunciar as diferentes violências praticadas e legitimadas indevidamente em nome de Jesus;

- Comprometer-nos com as causas que defendem a casa comum, denunciando a instrumentalização da fé em Jesus Cristo que legitima a exploração e a destruição socioambiental;

- Animar o engajamento em ações concretas de amor ao próximo; 

- Promover a conversão para a cultura do amor, como forma de superar a cultura do ódio; 

- Fortalecer a convivência ecumênica e inter-religiosa;

- Estimular o diálogo e a convivência fraterna como experiências humanas irrenunciáveis, em meio a crenças, ideologias e concepções, em um mundo cada vez mais plural.

- Compartilhar experiências concretas de diálogo e convívio fraterno.

 

De 5 em 5 anos à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) juntamente com o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC) realizam a Campanha da Fraternidade Ecumênica. Fizeram parte da Comissão da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021: a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Igreja Presbiteriana Unida do Brasil; Igreja Católica Apostólica Romana; Igreja Episcopal Anglicana do Brasil; Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia; Aliança de Batistas do Brasil; Igreja Betesda; Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização Educação Popular – CESEEP.

O grande enfoque que se faz da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano é sobre a questão do DIÁLOGO. A impressão que temos é que vivemos em um mundo em que dialogamos cada vez menos, preferimos as redes sociais, muitas vezes, para espalhar mais agressividade, ódio, intolerância, do que amor, solidariedade, compaixão e amor.

Essa CFE tem como base na sua reflexão o texto bíblico Lc 21,13-35, sobre os Discípulos de Emaús. A CFE segue o método ver, julgar e agir, e neste ano temos, a partir dos Discípulos de Emaús, as PARADAS.

PRIMEIRA PARADA é a conversa e a tristeza dos discípulos pela morte de Jesus na Cruz. Relacionando com nossos dias, a COVID 19 tem matado muita gente, assim como, a questão das injustiças socias, a fome e intolerância religiosa que devem ser transformadas, afinal, somos todos (as) filhos (as) do mesmo Deus que é nosso Pai.

SEGUNDA PARADA os Discípulos começaram abrir os olhos, e reconheceram que era Jesus, o Ressuscitado que estava com eles. O Evangelho derruba muros. Quando temos o Ressuscitado como referência para a nossa vida à diversidade nos conduz para a unidade. A unidade é o maior testemunho que podemos dar à sociedade.

TERCEIRA PARADA. Os discípulos abriram os olhos, reconheceram o Ressuscitado, e estavam unidos com a comunidade. Somos convidados a construir pontes com os nossos irmãos e irmãs. Cuidar juntos da nossa Casa Comum, buscar uma maior convivência inter-religiosa e participar da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. E isso nos ensina também São João Calábria, que nos dá um grande testemunho de acolhida e diálogo ecumênico.

QUARTA PARADA é o CELEBRAR. Nos deixemos guiar pela Carta encíclica “Fratelli Tutti” do Papa Francisco, o homem do diálogo inter-religioso, e não tenhamos medo de construir pontes de diálogo, compaixão e amor. O sopro do Espírito vem do ALTO. VAMOS NOS DAR AS MÃOS. Sonhos que sonhamos sozinhos ficam somente num sonho, quando sonhamos juntos facilmente se torna realidade.

 

Padre Anésio Ferla, PSDP

Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Misericórdia

 

Oração da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021

Deus da vida, da justiça e do amor,

Nós Te bendizemos pelo dom da fraternidade

E por concederes a graça de vivermos a comunhão na diversidade.

Através desta Campanha da Fraternidade Ecumênica,

Ajuda-nos a testemunhar a beleza do diálogo

Como compromisso de amor, criando pontes que unem

Em vez de muros que separam e geram indiferença e ódio.

Torna-nos pessoas sensíveis e disponíveis para servir a toda a

Humanidade, em especial, aos mais pobres e fragilizados,

A fim de que possamos testemunhar o Teu amor redentor e partilhar suas dores e angústias, suas alegrias e esperanças,

Caminhando pelas veredas da amorosidade.

Por Jesus Cristo, nossa paz, no Espirito Santo, sopro restaurador da vida. Amém.

 

[Revista A Ponte. Ed. 1, 2021]

 

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