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Padre Aldo Raimundo - missionário 52 anos

Testemunhos

Conheça a história do Missionário italiano, Padre Aldo Raimundo, Pobre Servo da Divina Providência, missionário no Brasil há 52 anos. Uma vida doada pelo Reino.

Nasci em 1939, na cidadezinha de Barbarano Vicentino, numa família pobre, mas muito católica, como todas naquele tempo no norte da Itália. Os domingos e dias santos eram de fato 'dia de alegria' pela participação de todos na Igreja e pela família reunida.

Um dia, na 5ª. série, o vigário paroquial veio fazer uma palestra na escola e pediu que respondesse uma pergunta: O que pretendo fazer quando crescer? Eu perguntei para minha mãe, que devo responder? E ela disse: "É você que sabe". - "Vou escrever que vou ser padre", falei. - "Escreva o que quiser", replicou ela. E assim, pouco tempo depois, o pároco me procurou. Mas como não tinha condições de pagar o seminário ele mandou esperar e frequentar novamente a 5ª. série como ouvinte, para não perder o contato com a escola, enquanto ele procurava uma solução. Naquele tempo a família do seminarista tinha que pagar o seminário (e não era barato), pois tinha muitas vocações. Uma estatística interessante: na minha Diocese de Vicenza, no ano 1948 houve 48 ordenações sacerdotais só do clero diocesano, sem contar os muitos institutos religiosos.

No ano seguinte, sempre esperando uma solução conveniente, estudava na escola da Paróquia de Sossano, distante 8 Km que percorria de bicicleta, onde o pároco tinha montado uma escola para vocacionados. O problema da falta de recursos fez com que o meu pároco, que conhecia Pe. Calábria, me encaminhasse para a casa de Maguzzano. Permaneci lá por dois anos, depois passei para Nazareth em Verona, onde tinha um grande interesse pelas missões, junto com tantos seminaristas que se tornaram padres (até Cardeal) e que são bem conhecidos aqui no Brasil.

A escolha para ser Pobre Servo não foi algo difícil e sim uma consequência natural de tudo o que vivi em Nazareth. O espírito puro e genuíno era sempre presente no exemplo dos religiosos e em particular pelas inflamadas homilias do Pe. Luís Pedrollo.

A profissão religiosa foi no dia 8 de setembro de 1962. Depois do noviciado, trabalhei por dois anos com os meninos internos na casa mãe de San Zeno in Monte.

A ordenação presbiteral foi no dia 29 de junho de 1968. Desde então trabalhei um ano na casa de Santa Mônica em Ferrara e no ano seguinte, em 19/09/1969 parti de Gênova para o Brasil, de navio, junto com Pe. Benjamim Zanni e com Pe. Pedro Cunegatti: feliz da vida por realizar a aventura de ser missionário.

Passei o primeiro ano em Porto Alegre aprendendo o português e me adaptando com um mundo tão diferente da Itália. Depois de dois meses era Natal: mas como é possível um Natal com o calor do verão, quando na Itália sempre tinha neve!? Em Farroupilha, por dois anos acompanhei turmas de seminaristas dos quais alguns são religiosos e um bispo: Dom Vital Corbellini, Ir. Gedovar Nazzari, Pe Jaime Bernardi, Pe Adelmo Cagliari e outros.

No dia 01 de Janeiro de 1973 sai de Farroupilha e no dia 5, na primeira sexta-feira, cheguei em Batayporã/MS, para trabalhar na Paróquia Santo Antônio. Eu não tinha o mínimo de experiência paroquial. Não queria ficar trabalhando sozinho numa paróquia. O Ir. Mário Bonomi, com o qual devia compor a comunidade religiosa, só chegou bem mais tarde, no dia 7 de dezembro. A Providência me ajudou com a presença da Ir. Ignês Turchiello, que estava trabalhando na Paróquia há dois anos. Penso que o povo tenha sofrido um pouco com este padre inexperiente!

Em fevereiro de 1983 fui para a Paróquia Imaculado Coração de Maria, Nova Andradina/MS e lá foi amadurecendo o trabalho paroquial e espiritual: uma linda experiência. Era para que eu ficasse por três anos, mas permaneci até 31/12/89, quando a Paróquia foi devolvida para a Diocese de Dourados. Em Nova Andradina fiz uma experiência muito positiva da Divina Providência, no sentido material e espiritual.

No início de 1990 fui enviado para Quixadá/CE, com Ir. Rino Corradini, para compartilhar a vida daquele povo sofrido. Como custei a me adaptar com a seca e com tanta pobreza! No entanto foi um contato bonito com aquele povo sofrido, mas cheio de fé e sempre alegre, mesmo passando fome. A situação econômica da Paróquia era insuficiente: todas as receitas da Paróquia não chegavam a dois salários. O ecônomo da Diocese completava, e muitas vezes precisei desta ajuda. Com isto precisava pagar todas as despesas da igreja, da casa paroquial, gasolina, a cozinheira, a sacristã, etc., e fazer os reparos indispensáveis na Igreja, nas capelas, na casa paroquial. Era uma vida de pobres, mas a Providência nunca deixou faltar o necessário. Foi em Quixadá, na Paróquia São Francisco, onde mais trabalhei e vivi pobre e feliz, também pela grande participação do povo.

No ano de 1999 fui transferido para a Paróquia Nossa Senhora das Graças, Feira de Santana/BA. Outra realidade, outros desafios, dificuldades e alegrias. Em 2004 morei na Paróquia São João Batista, em Jacundá/PA. Em 2005 na cidade de Rio Grande/RS e desde fevereiro de 2016 em Ponta Porã/MS, retornando para o estado onde iniciei o meu trabalho pastoral.

Como Pobre Servo tenho que agradecer a Divina Providência que sempre me acompanhou nas dificuldades e com muitas alegrias. Percebi claramente a presença da Providência nas necessidades materiais, mas também na condução da minha vida, abrindo caminhos, colocando ao meu lado pessoas de fé e de vida cristã autêntica, sentindo o amor do Pai, que nunca nos abandona. Em muitos lugares percebi que Deus dá sabedoria ao seu povo, e não somos nós padres que temos tudo para ensinar, mas o Espírito Santo age no coração das pessoas, mesmo que, às vezes, de forma diferente do que pensamos ou planejamos.

Entre as dificuldades encontradas, sobretudo nos primeiros tempos, foi um certo isolamento, por falta da comunicação: nem estradas, nem telefone, nem energia elétrica. Por isso vivi como que na periferia da Congregação. Na comunidade religiosa, o desafio foi de viver com pessoas de caráter tão diferente.

Sempre teremos dificuldades para manifestar o nosso carisma se não se formarem comunidades onde os religiosos amem-se verdadeiramente como irmãos e não tiver um sincero abandono à Divina Providência. Precisamos deixar o nosso protagonismo e colocar-nos de fato nas mãos da Divina Providência: é lindo experimentar o seu amor, pois é Deus que faz tudo e nos conduz, nós somos simplesmente servos.