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A Igreja orante através da Liturgia das horas

Liturgia

Irmão Rafael Pedro Susrina, PSDP

A vida dos membros da Igreja pode ser definida de diversas formas, tendo presente aspectos interiores e exteriores, bons e sacrificáveis, fáceis e difíceis, independentemente de tudo o que nos à de vir, podemos dizer como Jó: “Nu sai do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. Iahweh o deu, Iahweh o tirou, bendito seja o nome de Iahweh.” (1,21) – esta é expressão de sua fé, sua oração.

Orai sem cessar...

Orai...

sem cessar...

Orai sem cessar!

Porque não correspondemos a esse pedido de amor? E assim, consigamos bendizer sempre o nome do SENHOR?

A Igreja recomenda a todo o povo de Deus orar. Respondendo a este clamor vindo do próprio Cristo, celebramos o seu mistério, manifestamos nossa pertença a Igreja e unimo-nos a todos os fiéis.

A oração da Liturgia das Horas tem seu caráter eclesial evidenciado quando é realizada pela Igreja particular, ou seja, com seu bispo, rodeado por seus presbíteros e ministros, e com a participação do povo. Na realidade paroquial, celebra-se com o pároco e seus ministros, com a participação do povo. Entretanto, quantos de nós já participou desta ação litúrgica, que é aberta a todo o povo, juntamente com nossos ministros ordenados?

“É função dos que receberam a ordem sagrada ou que foram investidos de particular missão canônica convocar e dirigir a oração da comunidade: ‘Trabalhem para que todos os que se encontram sob seus cuidados vivam unanimes na oração’. Cuidem, pois, de convidar os fiéis e forma-los com a devida catequese para a celebração comunitária das principais partes da Liturgia das Horas, sobretudo nos domingos e festas. Ensinem-lhes a dela participarem de modo a fazerem autêntica oração. Por isso, ajudem-nos com a devida instrução a entenderem o sentido cristão dos salmos, de sorte que pouco a pouco, sejam levados a maior gosto e prática na oração da Igreja.”[1]

Importante salientar que não só no âmbito paroquial a Liturgia das Horas poderia (para não dizer, deveria) ser rezada, mas também nas casas religiosas (Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica), mesmo os “não obrigados a celebração comunitária, recomenda-se encarecidamente que se reúnam entre si ou com o povo, para celebrarem juntos essa Liturgia, ao menos em parte.”[2]

Essas afirmações podem nos levar a ter uma atitude precipitada, de que só aos padres e religiosos a Liturgia das Horas é recomendada. Não só eles devem rezar, mas também convidar os fiéis para esta oração, e se, por alguma razão, isso não ocorre, eles mesmos podem rezar de forma privada ou comunitária. Pois ‘os grupos de leigos, em qualquer lugar em que se encontrem reunidos, são convidados a cumprir essa função da Igreja, celebrando parte da Liturgia das Horas, seja qual for o motivo pelo qual se reuniram: oração, apostolado ou qualquer outra razão.”[3]

Todos os fiéis cristãos são convocados a rezar a Liturgia das Horas, em comum com o bispo, padre e leigos reunidos, e até mesmo individualmente. Tendo presente que rezar só traz benefícios, nos aproximando de Deus e sintonizando nossas ações ao projeto do Pai. “Convém que aprendam a adorar a Deus Pai em espírito e verdade, antes de tudo na ação litúrgica, e tenham presente que, mediante o culto público e a oração, atingem toda a humanidade e podem fazer muito pela salvação de todo o mundo”[4].

A Liturgia das horas melhor nos prepara para a missão que precisamos desempenhar, por isso, tornam-se importantes estes belíssimos momentos de intimidade que temos a disposição nas horas canônicas. Desde o início do dia somos envolvidos a dar graças a Deus. Todo o povo de Deus é chamado a esta missão.[5]

Assim como as comunidades religiosas, comunidades da paróquia, os grupos de leigos e os jovens quando se encontram podem rezar a Liturgia das Horas, a família, santuário doméstico da Igreja, também é convidada a celebrar, além das orações comuns a Deus, “algumas partes da Liturgia das Horas, segundo pareça oportuno, inserindo-se com isso mais intimamente na Igreja.”[6] Não há ocasião, estado de vida ou local que não permita a oração. A oração diária, constante, torna-se alimento e força na caminhada.

 

“Ah! A oração! O grande auxílio que sustenta a nossa fraqueza, que nos conforta nas provações, que nos une em doces vínculos com o Pai que está nos céus!”.

(São João Calábria)

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[1] Instrução Geral da Liturgia das Horas, n. 23.

[2] Ibidem, n. 26.

[3] Ibidem, n. 27.

[4] Ibidem.

[5] Ibidem, n. 28-32.

[6] Ibidem, n. 27.