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Santa Missa: liturgia eucarística

Liturgia

“Aproximemo-nos da Eucaristia: receber Jesus que nos transforma nele torna-nos mais fortes.” (Papa Francisco)

Irmão Rafael Pedro Susrina, PSDP

Na Liturgia Eucarística, vivemos o momento central da Santa Missa, somos conduzidos à sagrada Comunhão. Fazemos memória da Última Ceia, da entrega de Cristo no primeiro altar: o da Cruz - o primeiro sacrifício. “Obediente ao mandato de Jesus, a Igreja dispôs a Liturgia eucarística em momentos que correspondem às palavras e aos gestos realizados por Ele na vigília da sua Paixão.”[1] Por isso é necessário que o nosso olhar esteja voltado ao altar, centro da Missa: o altar é Cristo.

Liturgia Eucarística

“Na última Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e a ceia pascal, que tornam continuamente presente na Igreja o sacrifício da cruz, quando o sacerdote, representante do Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória. Cristo, na verdade, tomou o pão e o cálice, deu graças, partiu o pão e deu-o a seus discípulos dizendo: Tomai, comei, bebei; isto é o meu Corpo; este é o cálice do meu Sangue. Fazei isto em memória de mim. Por isso a Igreja dispôs toda a celebração da liturgia eucarística em partes que correspondem às palavras e gestos de Cristo. De fato:

1) Na preparação dos dons levam-se ao altar o pão e o vinho com água, isto é, aqueles elementos que Cristo tomou em suas mãos.

2) Na Oração eucarística rendem-se graças a Deus por toda a obra da salvação e as oferendas tornam-se Corpo e Sangue de Cristo.

3) Pela fração do pão e pela Comunhão os fiéis, embora muitos, recebem o Corpo e o Sangue do Senhor de um só pão e de um só cálice, do mesmo modo como os Apóstolos, das mãos do próprio Cristo.” (Instrução Geral do Missal Romano, n. 72).

Preparação dos dons

“No início da liturgia eucarística são levadas ao altar as oferendas que se converterão no Corpo e Sangue de Cristo. Primeiramente prepara-se o altar ou mesa do Senhor, que é o centro de toda a liturgia eucarística, colocando-se nele o corporal, o purificatório, o missal e o cálice, a não ser que se prepare na credência. A seguir, trazem-se as oferendas. É louvável que os fiéis apresentem o pão e o vinho que o sacerdote ou o diácono recebem em lugar adequado para serem levados ao altar. Embora os fiéis já não tragam de casa, como outrora, o pão e o vinho destinados à liturgia, o rito de levá-los ao altar conserva a mesma força e significado espiritual. Também são recebidos o dinheiro ou outros donativos oferecidos pelos fiéis para os pobres ou para a igreja, ou recolhidos no recinto dela; serão, no entanto, colocados em lugar conveniente, fora da mesa eucarística.” (IGMR, n. 73).

Importante ter presente que a procissão das oferendas faz parte da Celebração Eucarística, mas torna-se necessário observar o que estamos ofertando, se de fato o que apresentamos tem significado para a ação litúrgica, enquanto mistério, ou é ‘adereço celebrativo’, para deixar a missa mais ‘bonita’ visivelmente. E com certeza se não estamos esquecendo o principal: o pão e o vinho, para o sacrifício, ou seja, a partícula e a galheta com vinho a serem consagrados.

O pão e o vinho são depositados sobre o altar pelo sacerdote, proferindo as fórmulas estabelecidas[2]; o sacerdote pode incensar as oferendas colocadas sobre o altar e, em seguida, a cruz e o próprio altar, para simbolizar que a oferta da Igreja e sua oração sobem, qual incenso, à presença de Deus. Em seguida, também o sacerdote, por causa do ministério sagrado, e o povo, em razão da dignidade batismal, podem ser incensados pelo diácono ou por outro ministro.” (IGMR, n. 75)

“Em seguida, o sacerdote lava as mãos, ao lado do altar, exprimindo por esse rito o seu desejo de purificação interior.” (IGMR, n. 76)

Oração sobre as oferendas

“Depositadas as oferendas sobre o altar e terminados os ritos que as acompanham, conclui-se a preparação dos dons e prepara-se a Oração eucarística com o convite aos fiéis a rezarem com o sacerdote, e com a oração sobre as oferendas.” (IGMR, n. 77).

O Papa Francisco esclarece que neste momento “o sacerdote pede a Deus que aceite os dons que a Igreja lhe oferece, invocando o fruto do admirável intercâmbio entre a nossa pobreza e a sua riqueza. No pão e no vinho apresentamos-lhe a oblação da nossa vida, a fim de que seja transformada pelo Espírito Santo no sacrifício de Cristo, tornando-se com Ele uma única oferenda espiritual agradável ao Pai.”[3].

Oração eucarística

“Inicia-se agora a Oração eucarística, centro e ápice de toda a celebração, prece de ação de graças e santificação. O sacerdote convida o povo a elevar os corações ao Senhor na oração e ação de graças e o associa à prece que dirige a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo, em nome de toda a comunidade. O sentido desta oração é que toda a assembleia se una com Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na oblação do sacrifício. A oração eucarística exige que todos a ouçam respeitosamente e em silêncio.” (IGMR, n. 78)

“Podem distinguir-se do seguinte modo os principais elementos que compõem a Oração eucarística:

a) Ação de graças (expressa principalmente no Prefácio) em que o sacerdote, em nome de todo o povo santo, glorifica a Deus e lhe rende graças por toda a obra da salvação ou por um dos seus aspectos, de acordo com o dia, a festividade ou o tempo.

b) A aclamação pela qual toda a assembleia, unindo-se aos espíritos celestes canta o Santo. Esta aclamação, parte da própria Oração eucarística, é proferida por todo o povo com o sacerdote.

c) A epiclese, na qual a Igreja implora por meio de invocações especiais a força do Espírito Santo para que os dons oferecidos pelo ser humano sejam consagrados, isto é, se tornem o Corpo e Sangue de Cristo, e que a hóstia imaculada se torne a salvação daqueles que vão recebê-la em Comunhão.

d) A narrativa da instituição e consagração, quando pelas palavras e ações de Cristo se realiza o sacrifício que ele instituiu na última Ceia, ao oferecer o seu Corpo e Sangue sob as espécies de pão e vinho, e entregá-los aos apóstolos como comida e bebida, dando-lhes a ordem de perpetuar este mistério.

e) A anamnese, pela qual, cumprindo a ordem recebida do Cristo Senhor através dos Apóstolos, a Igreja faz a memória do próprio Cristo, relembrando principalmente a sua bem-aventurada paixão, a gloriosa ressurreição e a ascensão aos céus.

f) A oblação, pela qual a Igreja, em particular a assembleia atualmente reunida, realizando esta memória, oferece ao Pai, no Espírito Santo, a hóstia imaculada; ela deseja, porém, que os fiéis não apenas ofereçam a hóstia imaculada, mas aprendam a oferecer-se a si próprios, e se aperfeiçoem, cada vez mais, pela mediação do Cristo, na união com Deus e com o próximo, para que finalmente Deus seja tudo em todos.

g) As intercessões, pelas quais se exprime que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja, tanto celeste como terrestre, que a oblação é feita por ela e por todos os seus membros vivos e defuntos, que foram chamados a participar da redenção e da salvação obtidas pelo Corpo e Sangue de Cristo.

h) A doxologia final que exprime a glorificação de Deus, e é confirmada e concluída pela aclamação ‘Amém’ do povo.” (IGMR, 79).

Durante toda esta oração, “a Igreja exprime o que ela cumpre quando celebra a Eucaristia e o motivo pelo qual a celebra, ou seja, fazer comunhão com Cristo realmente presente no pão e no vinho consagrados. Depois de convidar o povo a elevar os corações ao Senhor e dar-lhe graças, o sacerdote pronuncia a Oração em voz alta, em nome de todos os presentes, dirigindo-se ao Pai por meio de Jesus Cristo no Espírito Santo.”[4] No Missal há várias fórmulas de Oração eucarística, todas constituídas por elementos característicos.

A Igreja faz uma importante exortação: “Só se podem utilizar as Orações Eucarísticas que se encontram no Missal Romano ou aquelas que têm sido legitimamente aprovadas pela Sé apostólica, na forma e maneira que se determina na mesma aprovação. ‘Não se pode tolerar que alguns sacerdotes reivindiquem para si o direito de compor orações eucarísticas’, nem modificar o texto aprovado pela Igreja, nem utilizar outras composições feitas por pessoas privadas.

“A proclamação da Oração Eucarística, que por sua natureza é, pois o cume de toda a celebração, é própria e exclusiva do sacerdote, em virtude de sua mesma ordenação. Portanto, é um abuso fazer que algumas partes da Oração Eucarística sejam pronunciadas pelo diácono, por um ministro leigo, ou ainda por um só ou por todos os fiéis juntos. A Oração Eucarística, portanto, deve ser pronunciada em sua totalidade, tão somente pelo Sacerdote”. (Redemptionis Sacramentum, n. 51-52).

Ritos da Comunhão

A Oração do Senhor

“Na Oração do Senhor pede-se o pão de cada dia, que lembra para os cristãos antes de tudo o pão eucarístico, e pede-se a purificação dos pecados, a fim de que as coisas santas sejam verdadeiramente dadas aos santos.” (IGMR, n. 81).

O Papa Francisco, nas catequeses, explica que o Pai-Nosso “não é uma das tantas orações cristãs, mas é a oração dos filhos de Deus: é a grande oração que Jesus nos ensinou. Com efeito, entregue a nós no dia do nosso Batismo, o ‘Pai-Nosso’ faz ressoar em nós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo. Quando rezamos o ‘Pai-Nosso’, oramos como Jesus. Foi a oração que Jesus proferiu e que nos ensinou; quando os discípulos lhe disseram: ‘Mestre, ensina-nos a rezar como tu rezas’. E Jesus rezava deste modo. É tão bonito rezar como Jesus! Formados pelo seu divino ensinamento, ousamos dirigir-nos a Deus chamando-o ‘Pai’ porque renascemos como seus filhos através da água e do Espírito Santo (cf. Ef 1,5). [...] Quando rezamos o ‘Pai-Nosso’, entramos em relação com o Pai que nos ama, mas é o Espírito quem nos confere esta relação, este sentimento de sermos filhos de Deus. [...] Que oração melhor do que aquela que Jesus nos ensinou pode predispor-nos para a Comunhão sacramental com Ele?”[5].

Rito da paz

“Segue-se o rito da paz no qual a Igreja implora a paz e a unidade para si mesma e para toda a família humana e os fiéis se exprimem a comunhão eclesial e a mútua caridade, antes de comungar do Sacramento. Quanto ao próprio sinal de transmissão da paz, seja estabelecido pelas Conferências dos Bispos, de acordo com a índole e os costumes dos povos, o modo de realizá-lo. Convém, no entanto, que cada qual expresse a paz de maneira sóbria apenas aos que lhe estão mais próximos.” (IGMR, n. 82).

A troca do sinal de paz, no rito romano, “colocado desde a antiguidade antes da Comunhão, visa a Comunhão eucarística. Segundo a admoestação de São Paulo, não é possível comungar o único Pão que nos torna um só Corpo em Cristo, sem nos reconhecermos pacificados pelo amor fraterno (cf. 1Cor 10,16-17; 11,29). A paz de Cristo não pode enraizar-se num coração incapaz de viver a fraternidade e de a reparar depois de a ter ferido. É o Senhor quem concede a paz: Ele dá-nos a graça de perdoar a quem nos tem ofendido.”[6].

Fração do pão

“O sacerdote parte o pão eucarístico, ajudado, se for o caso, pelo diácono ou um concelebrante. O gesto da fração realizado por Cristo na última ceia, que no tempo apostólico deu o nome a toda a ação eucarística, significa que muitos fiéis pela Comunhão no único pão da vida, que é o Cristo, morto e ressuscitado pela salvação do mundo, formam um só corpo (1Cor 10,17). [...] O sacerdote faz a fração do pão e coloca uma parte da hóstia no cálice, para significar a unidade do Corpo e do Sangue do Senhor na obra da salvação, ou seja, do Corpo vivente e glorioso de Cristo Jesus. O grupo dos cantores ou o cantor ordinariamente canta ou, ao menos, diz em voz alta, a súplica Cordeiro de Deus, à qual o povo responde. A invocação acompanha a fração do pão; por isso, pode-se repetir quantas vezes for necessário até o final do rito. A última vez conclui-se com as palavras dai-nos a paz.” (IGMR, n. 83)

Comunhão

“O sacerdote prepara-se por uma oração em silêncio para receber frutuosamente o Corpo e Sangue de Cristo. Os fiéis fazem o mesmo, rezando em silêncio. A seguir, o sacerdote mostra aos fiéis o pão eucarístico sobre a patena ou sobre o cálice e convida-os ao banquete de Cristo; e, unindo-se aos fiéis, faz um ato de humildade, usando as palavras prescritas do Evangelho.” (IGMR, n. 84)

“Enquanto o sacerdote recebe o Sacramento, entoa-se o canto da comunhão que exprime, pela unidade das vozes, a união espiritual dos comungantes, demonstra a alegria dos corações e realça mais a índole ‘comunitária’ da procissão para receber a Eucaristia. O canto prolonga-se enquanto se ministra a Comunhão aos fiéis.” (IGMR, n. 86).

Cada cristão é convidado, cada vez mais, a ter consciência de que ao receber a “Comunhão, assemelhamo-nos mais a Jesus, transformamo-nos mais em Jesus. Do mesmo modo que o pão e o vinho são transformados no Corpo e Sangue do Senhor, assim quantos os recebem com fé são transformados em Eucaristia viva.”[7] Por isso, prossegue o Papa, quando o “sacerdote que, distribuindo a Eucaristia, te diz: ‘O Corpo de Cristo’, tu respondes: ‘Amém’, ou seja, reconheces a graça e o compromisso que comporta tornar-se Corpo de Cristo. Pois quando recebes a Eucaristia, tornas-te corpo de Cristo. Isto é bonito, é muito bonito. Enquanto nos une a Cristo, arrancando-nos dos nossos egoísmos, a Comunhão abre-nos e une-nos a todos aqueles que são um só nele. Eis o prodígio da Comunhão: tornamo-nos aquilo que recebemos!”[8].

Nota-se ser importante, após a Comunhão, dedicar um tempo de silêncio, para a oração silenciosa, que nos ajuda a conservar no coração o dom recebido. Falar com Jesus no coração. (cf. IGMR, n. 88)

“Para completar a oração do povo de Deus e encerrar todo o rito da Comunhão, o sacerdote profere a oração depois da Comunhão, em que implora os frutos do mistério celebrado. O povo pela aclamação ‘Amém’ faz sua a oração.” (IGMR, n. 89)

A Liturgia Eucarística nos conduz até a Comunhão, união com Jesus. “Celebramos a Eucaristia para nos alimentarmos de Cristo, que se oferece a nós quer na Palavra quer no Sacramento do altar, para nos conformar-nos com Ele. É o próprio Senhor quem o diz: ‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e Eu nele’ (Jo 6,56).”[9] Assim, somos revigorados para dar bons frutos e vivermos como verdadeiros cristãos.

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[1] FRANCISCO, Papa. Audiência Geral, 28 de fev. de 2018. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2018/documents/papa-francesco_20180228_udienza-generale.html. Acesso em: 13 set. 2020.

[2] Os negritos dentro do texto da Instrução Geral do Missal Romano, são detalhes do autor, visam dar destaque a explicações que não se faziam presentes nas edições anteriores do Missal Romano.

[3] FRANCISCO, Papa. Audiência Geral, 28 de fev. de 2018. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2018/documents/papa-francesco_20180228_udienza-generale.html. Acesso em: 13 set. 2020.

[4] FRANCISCO, Papa. Audiência Geral, 7 de mar. de 2018. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2018/documents/papa-francesco_20180307_udienza-generale.html. Acesso em: 13 set. 2020.

[5] FRANCISCO, Papa. Audiência Geral, 14 de mar. de 2018. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2018/documents/papa-francesco_20180314_udienza-generale.html. Acesso em: 13 set. 2020.

[6] Ibidem.

[7] FRANCISCO, Papa. Audiência Geral, 21 de mar. de 2018. http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2018/documents/papa-francesco_20180321_udienza-generale.html. Acesso em: 13 set. 2020.

[8] Ibidem.

[9] Ibidem.

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PARA LER OS ARTIGOS ANTERIORES DESTA SÉRIE, VEJA ABAIXO:

1. A beleza da liturgia Católica

2. Liturgia: Santa Missa

3. Santa Missa: oração/silêncio e ritos iniciais

4. Santa Missa: liturgia da palavra