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"SÃO JOÃO CALÁBRIA: Evangelho Vivo" - Sinais luminosos de uma aurora

Espiritualidade

Dando sequência a série de publicações, narrando os momentos mais marcantes na vida de São João Calábria, apresentamos hoje o 2º Capítulo.

O livro “São João Calábria: Evangelho Vivo”, escrito pelo Padre Graziano Pesenti, OCD, nos ajuda a contar a história do fundador das Congregações Pobres Servos e Pobres Servas da Divina Providência. Reconhecido como o Santo do século XX, testemunhou a Confiança em Deus Pai Providente, “santo da providência”; e auxiliou incontáveis almas à prática da caridade e a busca do Reino de Deus.

 

Sinais luminosos de uma aurora

Aos três anos, Joãozinho frequentou a escola maternal paroquial, dirigida pela senhorita Júlia Botteon, que o ensinou a ler, a escrever e, principalmente, a rezar, como recordaria o octogenário “Joãozinho”: “Querido Jesus Menino / sou pequeninho / recorro a Ti / olha-me, guarda-me / venho aos teus pés”[1].

Aos quatro anos de idade, admirava os padres e notava que eles tinham no centro da cabeça a chierica (uma tonsura circular dos cabelos), sinal de consagração. Pegou a tesoura e cortou uma mecha no alto da cabeça.

Ainda no jardim de infância, derramou um tinteiro, sujando-se a mão com a tinta; exclamou: “Eu não sou bom em nada!” A professora o consolou e o encorajou a estudar. Quando pequeno, levava as confecções da irmã Teresa, costureira, a duas clientes, as irmãs judias Rebecca e Sara Camis; ficou sabendo que elas esperavam o Messias, salvador de Israel. Tentou persuadi-las de que ele já veio, que é Jesus. Admirava a religiosidade delas, vendo-as beijar a Bíblia que – diziam elas – “contém a Palavra de Deus”.

Brincava de padre, construindo um altarzinho em um baú e imitando os gestos do celebrante da missa. De repente, fez-se orador, proclamando: “É preciso salvar a alma”. O pai Luís respondeu: “Sim, a do botão!” Mais tarde, sobre a inoportuna frase paterna, ele comentaria: “Com as crianças que levam tudo a sério, não se deve brincar sobre as coisas sagradas”.

Era coroinha, inscreveu-se na Pia União do Sagrado Coração para a reza do Pequeno Ofício, à qual permaneceria fiel durante toda a vida. Um dia, durante a reza do Rosário em família, viu a madrinha Bárbara colocar um caramelo na boca; deu um pulo, apagou a vela do seu altarzinho e resmungou: “Está comendo durante o Rosário”. A boa velhinha se desculpou e prometeu não fazer mais isso.

Frequentou (1881-1884) a escola elementar superior com os Padres Estigmatinos, escola fundada pelo Pe. Gaspare Bertone para os filhos do povo. Joãozinho era um dos melhores. Amava os jogos tranquilos e declarava aos colegas que seria padre. De brincadeira, tiraram a sorte sobre os nomes das igrejas que Napoleão fechou ao culto e que eles deveriam reabrir; coube-lhe a igreja de São Zeno do Monte... Profecia? Em 1908, o Pe. João Calábria a adquiriria e a restauraria, criando o centro espiritual da sua Obra. Nesse período, recebeu a Crisma (29 de maio de 1882) e a Primeira Comunhão (13 de maio de 1883).

Um velho advogado judeu, Salomão Asson Mandolin, vivia sozinho e foi ridicularizado por garotos malcriados na rua. Joãozinho simpatizou com ele e o acompanhou até a sinagoga: tornaram-se amigos. Assistiu à assustadora inundação do Ádige (1882), que alagou a cidade e provocou doenças à saúde do pai, que sofreu por quatro anos, comprometeu o trabalho e reduziu a família quase à miséria. Luís morreria em fevereiro de 1886.

 

[1]Caro Gesù Bambino / son piccolino / ricorro a Te / guardami, guardami / vengo ai tuoi piè.”

 

Pesenti, Graziano. São João Calábria: evangelho vivo. [Tradução Moises Sbardelotto]. São Paulo: Paulinas, 2019.

 

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