25 anos de Ordenação do Padre Antônio Dall'Ò

Em 25 de setembro de 2019, Pe. Antonio Dall'Ò celebrou seu Jubileu de Prata Presbiteral.

Aproveitamos este espaço para divulgar a entrevista que a Revista A Ponte fez com o Pe. Antônio, edição JAN/FEV/MAR de 2020.

Confira!


  1. A PONTE: Gostaríamos de saber um pouco sobre sua história, onde nasceu e também sobre a sua família?

Nasci em 15 de junho de 1965 em Nova Roma, então distrito de Antônio Prado (atual município de Nova Roma do Sul). Sou o primogênito, de quatro irmãos: irmã Terezinha e irmãos Nestor Hugo e Ademir José, filhos de Pedro Dall'Ò e Honorina Sudstron Dall'Ò. Criados na roça com os afazeres próprios da vida de agricultores. Desde pequenos fomos instruídos e acompanhados pelos nossos pais a uma vida de trabalho, de pequenas responsabilidades, fé e participação na vida da família e da comunidade. Não obstantes as dificuldades e distâncias, fomos incentivados pelos pais a estudar.

Em 1978 recebi duas visitas do animador vocacional Pe. Nello Vanzo, nascendo assim o convite para o estágio vocacional no início de 1979, recebendo o apoio de meus pais. Ingressei no Seminário Apostólico Nossa Senhora de Caravaggio, Farroupilha RS no dia 03 de março de 1979. Pessoalmente não tinha muita noção do passo importante que estava fazendo. Sei que uns dias antes, meus pais me disseram: ¨esperamos que não vás incomodar os padres¨.

 

  1. A PONTE: Como era a vida no Seminário?

Nos primeiros dias de Seminário, lembro que foi muito intenso e divertido, pois éramos um "batalhão" de adolescentes e jovens, e para proporcionar uma integração com todos os seminaristas, tivemos vários dias de Gincana. Uma vez integrados, iniciava-se a rotina dos estudos, trabalhos, aula, oração e outros afazeres do quotidiano. Mas, aos poucos, ia também aumentando a saudade da família e com muita maestria os formadores, consolavam-nos e ajudavam-nos a caminhar.

Ao longo do ano, haviam programações especiais como: torneios de futebol, vôlei, pescarias, Galpão, Hora do Grêmio, mutirões de trabalhos na casa dos benfeitores, e no próprio Seminário. Tudo muito bem organizado para que aos poucos nos tornássemos "bons cristãos e honestos cidadãos" conforme pedagogia de Dom Bosco. O que sempre me marcou nestes anos, e hoje percebo o quanto foi importante era a presença constante de nossos formadores em todas as atividades. Não nos mandavam fazer as coisas, mas iam e faziam junto conosco. Uma outra experiência muito marcante destes anos, era a vibração, o entusiasmo, a alegria em tudo aquilo que os formadores nos propunham. Era impossível não comprar as ideias propostas. Outro fato marcante também, era quando passava algum religioso que estivesse trabalhando em outros lugares seja do Brasil como do mundo. Sempre sobrava um tempo para partilhar as suas experiências de missão, e isto me motivava muito a manter este desejo de missionariedade.

Ao ingressar no Centro de Orientação Vocacional (COV) em Porto Alegre, realizei o ensino médio no Calábria. Como me marcou a presença dos alunos que frequentavam os cursos. Havia o ritmo e rotina do COV, mas também as pastorais e convivência com um leque muito maior de pessoas, especialmente os ligados ao Centro Social Pe. João Calábria, Amparo Santa Cruz, Paróquias Santa Luzia, Santa Flora, Vila Nova, Restinga, SPAN.

 

  1. A PONTE: Como foi para o Senhor o período do Postulado e Noviciado?

Ao concluir o ensino médio, fiz o primeiro pedido por escrito para a etapa do postulado, sendo enviado ao Seminário para compor a comunidade, e fazer parte da equipe formativa como assistente. Na parte da manhã frequentei a Universidade de Caxias do Sul, cursando dois anos de filosofia e à tarde/noite acompanhava a turma de seminaristas junto com um religioso. Percebi que à medida que ia caminhando, as responsabilidades também cresciam, e quanto foi necessário para que a maturação pudesse acontecer.

No primeiro semestre de 1986, no meu segundo ano de postulado, fiz o pedido para o Noviciado, ingressando em 1987 no Noviciado Nossa Senhora de Caravaggio, Farroupilha. Destaco que, este tempo do Noviciado é, ainda hoje, o grande referencial de minha vida como Pobre Servo. O mestre Pe. Gianni Menegazzi, trabalhou conosco pensando em nosso futuro, pois quanto mais o tempo passa mais percebo como ele nos conduziu com maestria e sabedoria, preparando-nos para os possíveis e imagináveis situações desafiantes em nossas comunidades. Destaco também a convivência com os colegas noviços como grande contributo para a minha vida, pois havia um grande empenho de todos na busca de crescer e aprender a essência da vida religiosa Calabriana.

Em primeiro de janeiro de 1988, fiz a primeira profissão religiosa com os colegas de caminhada. Dia memorável. No mesmo dia recebi por escrito a minha primeira obediência como professo: comunidade do Centro Social Pe. João Calábria, na função de coordenador dos cursos da Escola Profissionalizante. Não fazia ideia do que viria pela frente. Na empolgação do noviciado e profissão religiosa lá fui.

 

    A PONTE: Qual foi sua primeira Missão como Religioso Pobre Servo da Divina Providência?

Chegando no Centro Social como religioso, tive uma sensação de que estava investido de algo supra-humano, mas aos poucos pude perceber que não estava imune das dificuldades e desafios. Um grande desafio foi passar de aluno para a coordenação da Escola num período de três anos. Outro desafio foi o peso da responsabilidade diante de pouca ou nenhuma experiência da atividade. O desgaste diário com os alunos, instrutores e famílias. Creio que estes quatro anos foram uma grande prova de fogo, onde tive que aprender, fazendo-o de coordenador, conciliador, tomando decisões, postando-me como tal: seja no vestir, no falar, no abordar as pessoas, na interação com outras entidades afins, com o poder público.

 

Pe. Antônio Dall'Ò - PSDP

Pároco Nossa Senhora de Caravaggio - Osório/RS