São João Calábria e sua relação com o autor das Crônicas de Nárnia, C. S. Lewis.

Nem todos sabem, mas São João Calábria escreveu muitas cartas, não só para os religiosos(as), mas para grandes personalidades e não poderíamos deixar de citar o grande escritor C. S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia, amigo íntimo de J. R. R. Tolkien.

Em visita ao Brasil, entrevistamos o Pe. Luciano, Vigário-Geral da Congregação Pobres Servos e autor do livro "UNA GIOIA INSOLITALettere tra un prete cattolico e un laico anglicano", onde fala das cartas trocadas entre São João Calábria e Lewis, autor das Crônicas de Nárnia.

Lewis é mais conhecido por seus trabalhos envolvendo a apologia cristã, incluindo as obras O Problema do Sofrimento (1940), Milagres (1947) e Cristianismo Puro e Simples (1952), e a ficção e a fantasia, sendo as obras As Crônicas de Nárnia (1950-56), Cartas de um diabo ao seu aprendiz (1942) e Trilogia Espacial (1938-45), exemplos de sua produção literária voltadas para esses temas. Foi também um respeitado estudioso da literatura medieval e renascentista, tendo produzido alguns dos mais renomados trabalhos acadêmicos envolvendo esses temas no século XX.

Em vida, foi grande amigo do também professor universitário e escritor britânico J. R. R. Tolkien (1892-1973), autor das obras como O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. Juntos, os dois serviram como membros do corpo docente da Faculdade de Língua Inglesa da Universidade de Oxford e lideraram o grupo informal de discussão e colaboração literária The Inklings. Apesar de ter sido criado ao longo da infância dentro das tradições da Igreja da Irlanda, Lewis se tornou um ateu convicto na altura de sua adolescência, seguindo essa linha de convicção pessoal até o início de sua idade adulta, quando, por intermédio de Tolkien, voltou a professar a fé cristã, se tornando um árduo defensor do cristianismo até o fim de sua vida e carreira.

Pe Luciano Squizzato fala dessa amizade e o que dispertou a vontade de escrever sobre o assunto: "A partir do contato que tive com a Obra de Tolkien, o Senhor dos anéis, vi que era uma obra cheia de simbologia, um exemplo é a viagem de Bilbo, que começou dia 25 de março, dia da Anunciação. Tinha uma simbologia religiosa poderosa. Eu fiquei marvilhado com aquilo, e comecei a pesquisar sobre o autor e foi então que me deparei com o Lewis, amigo íntimo do Tolkien. Tolkien era católico e Lewis era anglicano. Depois fui ler Cartas de um diabo ao seu aprendiz (1942) e fiquei sabendo que os dois escreviam para São João Calábria, e comecei a pesquisar.

O Calábria e o Lewis se encontraram em 1947, mas nunca se encontraram fisicamente, mas começaram a se corresponder por cartas. O Lewis tinha escrito durante a 2º Guerra Mundial e a partir dos seus livros ficou muito popular, sobre tudo "Cartas de um diabo ao seu aprendiz", que foi traduzido em Italiano por um Pe. Jesuita. Então,  quando Pe. Calabria leu o livro se entusiasmou tanto que escreveu para o autor. Mas ele não sabia o inglês, e escreveu em latim, mas o Lewis era professor então. Eu vejo duas pessoas que buscaram verdadeiramente a vontade de Deus, pelas barreiras que haviam naquela época, que anglicanos eram como hereges para o católicos, faziam uma leitura da realidade contemporânea."

 

Na Biografia de C. S. Lewis: do ateísmo às terras de Nárnia , o autor cita São João Calábira "Lewis expressa temores com clareza e força em suas correspondências em latim com Don Giovanni Calabria, um notável sacerdote italiano que foi canonizado por João Paulo II [...]"

 

Heloisa Fernandes, Comunicação Pobres Servos da Divina Providência.